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IoT no país deve atingir US$ 3,29 bi em 2021, puxada por manufatura e setor automotivo

Só em 2016, o mercado de IoT no Brasil movimentou US$ 1,35 bilhão, sendo que a indústria automotiva e as verticais de manufatura foram as mais relevantes, diz Frost & Sullivan

18 de Maio de 2017 - 17h05

O mercado de Internet das Coisas (IoT) no Brasil movimentou US$ 1,35 bilhão no ano passado, sendo que a indústria automotiva e as verticais de manufatura foram as mais relevantes, de acordo com estudo a Frost & Sullivan. Intitulado “O Mercado industrial brasileiro de Internet das Coisas, Cenário para 2021”, o estudo define IoT como objetos de uso cotidiano — de veículos a equipamentos para cafeterias em hotéis — que são conectados à internet (comunicação de mão dupla) e que podem estar conectados uns aos outros.

O levantamento projeta um crescimento significativo para o mercado de IoT, que deve alcançar receitas de US$ 3,29 bilhões em cinco anos — a estimativa de receita se refere a hardware (módulo de conectividade e outros componentes), software e serviços diretamente ligados a soluções IoT.

“A tecnologia começa a ser embarcada nos produtos, junto com módulos de conectividade, permitindo às empresas extrair informações sobre a experiência do consumidor, analisar e definir ações. É uma revolução centrada no consumidor, direcionada pela transformação digital”, afirma Renato Pasquini, diretor de pesquisa e consultoria em transformação digital da Frost & Sullivan para América Latina.

O gerente do programa de mobilidade da Frost & Sullivan, Yeswant Abhimanyu, diz que a indústria automobilística espera gastar mais em IoT nos próximos dois anos, uma vez que a telemática de veículos comerciais representou a maior parte da conexão M2M [máquina a máquina] no mercado brasileiro no ano passado. “A logística e o transporte no Brasil são baseadas principalmente em rodovias por causa da limitada rede ferroviária; e roubos de veículos e cargas são a principal preocupação. Empresas de diversos segmentos esperam ter perspectivas melhores neste ano e retomar suas iniciativas de investimento em tecnologia”, destaca.

De acordo com a gerente de pesquisas em saúde transformacional da Frost & Sullivan, Rita Ragazzi, há oportunidades significativas também em mercados como smart cities, utilities, agricultura e saúde. “Enquanto a indústria automobilística e de manufatura estarão maduras em 2021, a expectativa é que a da saúde tenha as mais altas taxas de crescimento anual composta, gerando uma trilha reversa em outros mercados, começando por negócios B2C, e então envolvendo empresas.”

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Segundo a analista, devido à grande regulamentação do mercado de saúde no Brasil, com várias questões sobre a confidencialidade e segurança dos dados, a adoção pelas instituições de saúde será uma longa jornada. “Entretanto, tecnologias voltadas aos pacientes são mais fáceis de serem adotadas, como serviços móveis, apps e dispositivos, que levarão o mercado de saúde B2C a atingir a soma de US$ 610 milhões em 2020”, completa Rita.     

O relatório observa que o ecossistema de IoT no Brasil ainda é fragmentado. Há desafios de ampliar a capacidade de consultoria e integração para que as empresas de tecnologia da informação e comunicações ofereçam soluções de ponta a ponta em IoT. “Novos modelos de negócios evoluem rapidamente em diferentes mercados no Brasil tanto por meio de empresas estabelecidas, como de startups, gerando um cenário positivo para inovação e coinovação de soluções para necessidades especificas do país”, completa Pasquini.