Tecnologias Emergentes > Internet das Coisas

Consórcio Brasil-Europa vai aplicar R$ 5,5 mi em pesquisa de IoT para irrigação inteligente

Projeto Smart Water Management Platform prevê a criação de uma plataforma inteligente de gerenciamento de água em irrigação de precisão

02 de Agosto de 2017 - 19h58

Pesquisadores brasileiros vão desenvolver métodos baseados em Internet das Coisas (IoT) para gerenciamento inteligente de água em irrigação de precisão. A criação de uma plataforma inteligente de gerenciamento de água é o objetivo do projeto Smart Water Management Platform (Swamp), aprovado na 4ª Chamada Coordenada Brasil-União Europeia em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).

A proposta, contemplada com recursos de 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 5,5 milhões), concorreu com outras 50 submetidas por mais de 300 instituições ao Programa Horizonte 2020 (H 2020). Entre os objetivos está a implementação de um sistema de sensoriamento e controle baseado em IoT para gerir o uso da água em dois projetos-piloto nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, além de outros dois na Europa.

A abordagem ampla do projeto é o desenvolvimento e avaliação de uma plataforma inteligente de irrigação à taxa variada (VRI), destinada a pivôs centrais e irrigação localizada, inicialmente na produção de soja e vinicultura, respectivamente. A plataforma será integrada com ferramentas e aplicativos de gestão voltados para o uso racional da água. A proposta é fornecer ao agricultor um mapa diário de recomendação dinâmico, de acordo com um conjunto de informações em tempo real do clima, solo, condições de cultivo, além dos níveis e qualidade dos sistemas de fornecimento e da distribuição de água no campo, todos obtidos pela plataforma.

O Swamp é liderado pelo professor Carlos Alberto Kamienski, da Universidade Federal do ABC (UFABC), com a participação de 11 instituições. Entre elas estão a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana "Padre Sabóia de Medeiros" (FEI), a Embrapa, a Universidade de Bologna, na Itália, a Intercrop, da Espanha, e a VTT Technical Research Centre, da Finlândia.

Os pesquisadores Marcos Cezar Visoli, da Embrapa Informática Agropecuária, André Torre Neto, Ednaldo José Ferreira e Luis Henrique Bassoi, da Embrapa Instrumentação, ambas em São Paulo, integram a equipe. “Será uma excelente oportunidade para avançar no desenvolvimento e uso de plataformas baseadas em nuvem para armazenamento e oferta de serviços”, afirma Visoli.

Mais Lidas

Torre Neto ressalta a importância desse trabalho para a visibilidade e participação da pesquisa nacional no cenário mundial. “Participar do H 2020 possibilita ampliar a inserção da ciência brasileira no contexto internacional e, ao mesmo tempo, contribuir com o desenvolvimento do País, levando tecnologia de ponta para beneficiar a agricultura”, diz.

Para o chefe-geral da Embrapa Instrumentação, João de Mendonça Naime, a aprovação do projeto em parceria com a UE evidencia a importância do tema e a excelência dos pesquisadores brasileiros. “Cientistas da Embrapa contribuirão com suas competências em fisiologia vegetal, tecnologias de irrigação e tratamento de grandes volumes de dados (big data). Trata-se de um investimento altamente estratégico para o Brasil porque é urgente resolvermos a complexa equação de alta demanda por produção de alimentos em função da crescente escassez de água”, avalia.

A chamada conjunta da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) com a União Europeia, supervisionada pela Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), selecionou seis projetos para financiamento na área de TIC. A União Europeia é responsável pelo financiamento da metade dos recursos, enquanto a outra metade é procedente da Lei de Informática.

O coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da RNP, Wanderson Paim, destaca que a 4ª chamada exigiu muito dos participantes devido ao caráter multidisciplinar das instituições inscritas, elevando o nível dos projetos. “A participação da Embrapa, com toda a expertise que possui, é importantíssima para se obter o resultado esperado dos projetos”, pontua. “É uma excelente notícia, especialmente em tempo de contigenciamento de recursos”, diz Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária.

Das 51 propostas submetidas, três aprovadas são na categoria Internet das Coisas, duas em Computação em Nuvem, e uma em redes 5G. Cada projeto foi revisado por quatro avaliadores, sendo dois brasileiros e dois europeus. Depois da avaliação individual, todos se reuniram em Brasília, sob a supervisão da Comissão Europeia, representantes da RNP e do MCTI para chegar a um consenso quanto aos projetos aprovados, informou a coordenação.

Só a categoria Internet das Coisas recebeu 34 propostas. Os projetos aprovados reúnem 68 instituições, 39 brasileiras e 29 europeias, sendo 38 universidades, 18 empresas e 12 centros de pesquisa. Entre as instituições do Brasil estão 24 universidades, oito centros de pesquisa, cinco empresas privadas de grande porte e duas pequenas e médias empresas. Na área de Computação em Nuvem, foram 84 instituições proponentes, 24 em redes 5G e 202 em Internet das Coisas, totalizando 310 participações e 968 candidaturas de pesquisadores.

Plataforma inteligente

A plataforma inteligente de gerenciamento de água Swamp tem prazo de execução de três anos, com início em dezembro deste ano, e contempla recursos da ordem de 1,5 milhão de euros, cerca de R$ 5,5 milhões, para as instituições brasileiras. À Embrapa serão destinados aproximadamente R$ 1,2 milhão, 24% do total. Além desse montante, a empresa deverá receber o aporte de mais um milhão de reais devido aos equipamentos e serviços que serão compartilhados.

A Embrapa ficará responsável por conduzir a implementação e avaliação das duas unidades-piloto contempladas pelo projeto. Adicionalmente, vai colaborar nas pesquisas para superar conjuntamente com os pesquisadores brasileiros e europeus os desafios da instrumentação e construção da plataforma computacional para coleta, integração, armazenamento, processamento e visualização de dados oriundos dos experimentos.

Uma unidade piloto de irrigação inteligente deverá ser instalada na região do Matopiba, considerada a grande fronteira agrícola nacional, que compreende o bioma Cerrado dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por grande parte da produção brasileira de grãos e fibras. O outro experimento vai contemplar pesquisas em vinicultura e está programado para ser instalado na Vinícola Guaspari, em Espírito Santo do Pinhal, interior paulista.

Programa europeu

O H 2020 é o maior programa de pesquisa e inovação criado pela União Europeia (UE), com cerca de 80 bilhões de euros de financiamento para ser executado no período de 2014 a 2020. O objetivo da chamada é fortalecer a sinergia entre as competências existentes nas comunidades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do Brasil e da UE, com destaque para instituições com forte envolvimento com indústrias.