Negócios > Governo

Adobe Systems cria restrições para vendas ao setor de governo no Brasil

A partir de agora, revendas sem a certificação ficam proibidas de vender softwares da fabricante a clientes da área pública

26 de Julho de 2017 - 12h15

A Adobe Systems homologou a CGK  Tecnologia para representá-la em vendas ao governo. Com isso, a partir de agora, revendas sem a certificação ficam proibidas de vender softwares da fabricante a clientes da área pública. Para a CGK, a homologação a certificação fortalece sua estratégia de crescer no segmento de software para o setor público, mercado que, só na instância federal, investiu R$ 2,8 bilhões em compras de tecnologia no ano passado, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência.

A homologação faz parte do Programa de Especialização em Governo para Revendas Autorizadas no país, lançado pela fabricante de software este mês, e, a partir dele, revendas não autorizadas a atuar nesta especialização não poderão fazer qualquer tipo de venda ao setor público: nem participar de licitações ou concorrências públicas, nem oferecer licenças pedidas por qualquer órgão governamental.

“Qualquer negociação com esferas de governo que não seja feita por uma revenda autorizada Adobe e certificada na especialização em governo passa a ser irregular e passível de penalização”, afirma documento divulgado pela Adobe.

O diretor da CGK, José Guido Kirst, explica que o principal motivo que levou a Adobe a criar a homologação especial foi a ocorrência de muitas participações de revendas sem qualificação em licitações e concorrências públicas, sem, ao final, entregarem os produtos adequados. “Houve muitos casos, e para evitar danos a sua imagem consolidada globalmente, a Adobe informou esta nova postura a seus parceiros”, afirma Kirst. 

Para obter a certificação, a CGK precisou atender a requisitos rigorosos, como ser revenda Gold da Adobe, ter histórico de resultados positivos em soluções e vendas de software no mercado governamental comprovado por clientes, não ter tido contratos rescindidos por justa causa por clientes de qualquer setor, ter catálogo de produtos, website e materiais de marketing promovendo ofertas para o governo, além de ter um grupo de funcionários dedicados a governo.

As demais revendas que desejam obter a certificação de especialização em governo, além de integrar-se ao rol de revendas Gold ou Platinum da Adobe, precisam constituir-se em empresa de sociedade limitada ou sociedade anônima, de acordo com a legislação brasileira (MEIs, EPPs ou microempresas são inelegíveis). A lista com todos os requisitos está disponível, em detalhes, aqui. O grupo de funcionários dedicado a contratos com governo terá também, obrigatoriamente, de passar pelo Treinamento de Especialização em Governo da Adobe uma vez por ano.

Mais Lidas

“Com o novo programa de canais para governo da Adobe, buscamos agora ter um canal ainda mais especializado para atender especificamente as entidades governamentais nos diversos modelos de licenciamento disponíveis pela Adobe no Brasil”, afirma Beto Santos, diretor da área Consumer & Business da Adobe para América Latina.

Potencial de mercado

“O setor de governo é um dos mercados que incluímos com mais força em nossa estratégia de crescimento para 2017 e anos seguintes. Esta homologação impulsiona nossa investida neste segmento. Nossa meta é fornecer software de qualidade, que torne processos e pessoas mais produtivos, resultando em melhoria das rotinas das administrações públicas e, consequentemente, dos serviços prestados à população”, comenta Kirst.

O executivo destaca que a participação no setor governamental terá, ainda, uma função consultiva, visando a demonstrar os ganhos que a TIC pode trazer a este segmento e criando uma cultura de maior investimento na área.

“Hoje, segundo os dados do Portal da Transparência, o investimento feito pelo governo federal em TIC é muito baixo. O montante de 2016 é bilionário, mas representa somente 0,17% do total de aplicações feitas pelo governo em todo o ano”, avalia Kirst. “Existem muitas demandas e gargalos da gestão pública que a tecnologia pode suprir, gerando ganho de produtividade e, muitas vezes, redução de custos. Tudo isso é benefício para instâncias municipais, estaduais e federais”, finaliza.